O desemprego em Portugal não pára de crescer. Sabemos que em outros países europeus o desemprego subiu, fruto de reformas estruturais corajosas, para valores bem mais elevados. Por exemplo, os governos liderados por Margaret Thatcher e Filipe Gonzalez, um conservador e outro socialista, fizeram-no em consequência de governações bem sucedidas que modernizaram as economias da Grã-Bretanha e da Espanha.
Esse desemprego era virtuoso, pois significou o encerramento de empresas públicas inviáveis, a saída do Estado de muitos sectores da economia e a modernização competitiva das empresas. Nos anos que se seguiram, um Estado emagrecido conseguiu dirigir recursos para o investimento reprodutivo e as empresas passaram a ser mais competitivas num mercado muito mais global.
Ora, não é nada disso que está a acontecer em Portugal. O actual índice de desemprego, que aliás esconde o regressado fenómeno de emigração por motivação económica e social, sendo relativamente mais baixo, é bem mais preocupante. Porque dificilmente será absorvível pelo crescimento económico, mesmo que este ultrapasse muito os 2% do PIB.
O actual desemprego está estruturado num núcleo duro constituído por muitos jovens licenciados e trabalhadores sucessivamente despedidos de empresas de mão-de-obra intensiva, que esta globalização deslocalizou. Os primeiros ostentam diplomas a que, em muitos casos, não correspondem competências adequadas ao mercado de trabalho. Os segundos, uma larga maioria com formação/educação incipientes, enfrentam igual tipo de dificuldades.
Era necessário colocar de pé um amplo programa de formação/educação capaz de contrariar esta injusta condenação de milhares de portugueses a uma cidadania de segunda classe.
O problema não é resolúvel com o modelo do passado, que delapidou recursos do Fundo Social Europeu com resultados medíocres.
Para muitos desses portugueses, nomeadamente aqueles que ainda se encontram em faixas etárias relativamente jovens, a solução seria a do regresso à escola, embora com acrescidas preocupações de preparação profissional.
Muitas universidades, por exemplo, a de Aveiro, já se prepararam para esse desafio e só esperam que a Administração assuma as suas responsabilidades. Cursos de pós-graduação em que, além do incontornável aperfeiçoamento do inglês falado e escrito, se introduzisse o ensino da segunda língua virada para os ‘novos mercados’ (alemão, russo, árabe, mandarim), o ensino de tecnologias de informação/comunicação e algumas noções de gestão seriam um caminho prometedor. Os rejeitados da actualidade poderiam tornar-se nos mais desejados de amanhã.
Solução semelhante, embora mais no modelo de ensino técnico/profissional de gama média, já deveria estar a ser desenvolvida para os desempregados com baixos índices de formação.
Ficamos à espera que o Estado reaja com criatividade e rapidez, resistindo à tentação habitual. A que se limita a atirar dinheiro aos magotes para cima dos problemas.
