Com coragem

Há mais de cinco anos que tenho esta coluna aqui no Correio da Manhã. Com orgulho, posso dizer que ao longo deste tempo nunca deixei de ocupar este espaço com a minha crónica semanal. De Janeiro a Dezembro. Ininterruptamente. Denominei-o ‘O Poder da Coragem’. Porque me revejo numa acção política que faz da coragem uma bandeira. Porque, sem falsas modéstias, julgo que o meu percurso cívico e político tem como principal característica a coragem.

No início da década de 90 podia ter continuado bem instalado na vida e a exercer a minha profissão de médico. Resolvi, pelo contrário, assumir a liderança da maior estrutura partidária do PSD, numa altura em que o ‘cavaquismo’ definhava e o PSD recuava nos centros urbanos. Tornei, pela primeira vez, o PSD no Porto como o maior partido e consegui que o PSD passasse de três câmaras conquistadas para 12. Eu próprio me candidatei, com o meu nome e com o meu rosto, à terceira maior câmara do País, com mais de 300 mil habitantes. Uma autarquia que o PS dominava há anos e onde o PSD em eleições legislativas não ultrapassava os 20%. Ganhei com maioria absoluta, uma, duas, três vezes, com mais de 60% dos votos. Outros, ficaram em casa, não deram a cara numa altura difícil, em que o PS era esmagador. Dez anos depois, todo o País reconhece que em Gaia há obra feita e uma boa aplicação dos recursos públicos.

Vem isto a propósito da minha candidatura a presidente do PSD. Se há coisa de que não me podem acusar, como ficou provado, é de falta de coragem. Disse-o no dia de apresentação da minha candidatura e torno a repeti-lo: “A democracia representativa definhará se o maior partido da oposição não for rapidamente regenerado para o combate político.” E mais, que sou candidato “para dar uma nova esperança aos militantes”.

Coragem é avançar quando as regras não são iguais para todos. Coragem é combater o ‘status quo’, apelando à revolta das bases contra a nomenclatura. Coragem é combater um poder interno que se quer perpetuar através de pressões sobre dirigentes concelhios, distritais e presidentes de câmara. Coragem é apelar ao ‘partido profundo’, aos mais de 140 mil militantes, genuinamente sociais-democratas, de Valença a Vila Real de Santo António, para lhes dizer que “é preciso mudar de vida”. Coragem é dizer que o partido de Francisco Sá Carneiro e de Aníbal Cavaco Silva, e de muitos e muitos outros notáveis e ilustres, é principalmente o partido de dezenas de milhar de militantes anónimos que não se revêem nesta liderança do PSD nem neste governo do PS. Coragem é dizer que o governo socialista não cumpre o que prometeu na campanha eleitoral: dois anos passados, há mais desempregados, há mais miséria, há mais listas de espera, há mais impostos, há menos urgências, há menos maternidades, há menos segurança, há menos justiça social, há menos liberdade. É isto que é preciso dizer e é isto que o actual PSD não diz.

É para devolver o partido às bases, para combater o PS e este governo ineficaz e incumpridor, para revitalizar o PSD de que Portugal precisa, que me candidato. Com coragem.

Luís Filipe Menezes, in Correio da Manhã

26 de Julho de 2007

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Uma Resposta a “Com coragem”

  1. Paulo Vieira da Silva diz:

    O semanário Expresso diz que Marques Mendes prepara-se para fazer amanhã, na célebre Festa do PSD Madeira, o Rally das Barraquinhas ao lado de Alberto João Jardim. A tradição fala-nos de um percurso que conta com paragem garantida em 52 barraquinhas onde Mendes e Jardim terão que experimentar a famosa poncha madeirense. Marques Mendes espera que esta seja a “poncha mágica” - leia-se votos - que lhe garanta a vitória interna nas eleições directas de Setembro. E digo isto porque na Madeira vivem cerca de 30% dos militantes com quotas pagas e, por isso, com capacidade eleitoral no PSD. É muita barraquinha, muita poncha, mas também são muitos potenciais votos!

    Se por um lado, o candidato Marques Mendes vai fazer o Rally das Barraquinhas no planalto do Chão da Lagoa, por outro, o candidato Luís Filipe Menezes evidencia rasgo e ambição, mostrando aos militantes do PSD como se faz oposição, falando para fora do partido, com marcação cerrada e diária ao Primeiro Ministro, José Sócrates. Ontem, por exemplo, esteve no Hospital de S. João, visitando colegas de profissão e apontando soluções para o Sistema Nacional de Saúde. E amanhã de manhã, por exemplo, estará nas praias da Póvoa de Varzim, numa original iniciativa da JSD Porto, liderada por Luís Vales, denunciando os 7 pecados da governação socialista. Mais uma vez falando para fora do aparelho partidário, junto dos veraneantes e das populações.

    As opções disponíveis são estas. Entre um candidato que concorre para o Rally das Tasquinhas e um outro que que tem a ambição de disputar o mundial da Fórmula 1. Agora a escolha é dos militantes do PSD. Será que os social-democratas pretendem mais uma vitória interna ou preferem partir à conquista de Portugal e de grandes vitórias eleitorais em 2009?

    No que a mim diz respeito a minha decisão está tomada. Eu quero um PSD com a ambição de chegar à Fórmula 1 e vencer no mundo altamente competitivo, e não um PSD que se satisfaça com a participação em Rallys das Tasquinhas. Eu quero um PSD rigoroso, mas simultaneamente criativo, corajoso e ambicioso. Por tudo isto apoio e voto em Luís Filipe Menezes.

    Um abraço.
    Paulo Vieira da Silva

    http://www.marcohoje.blogspot.com

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