Caras/os companheiras/os:
No mistério insondável dos vossos interesses, que têm vindo claramente à luz do dia desde a altura em que decidiram trair o companheiro Santana Lopes e, mais proximamente, quando fizeram com que Marques Mendes ficasse sozinho na liderança, para queimar os últimos resquícios do poder do aparelho, numa lenta agonia de oposição sem o substantivo apoio das vossas bondosas pessoas, o partido tem feito a sua inexorável caminhada até à patética escolha de Fernando Negrão para perder a Câmara Municipal de Lisboa.
Tenho a certeza de que estão felizes. Os vossos patéticos almoços onde vão tentando passear a classe que não têm surtiram resultado. Está aberto o caminho para tentarem um dos vossos.
É claro que ainda vos falta eliminar o companheiro Luís Filipe Menezes, mas aí fia mais fino. É que o homem, para além de não ser burro, tem mais de 40 por cento do partido. E, meus caros companheiros barões, confessem que têm medo. Com tanta percentagem, não sabem se podem dar-se ao luxo dos joguinhos de bastidores num qualquer restaurantezeco da moda.
Agora, depois da enxurrada lisboeta, colocam os vossos ares preocupados com o futuro daquilo com que nunca se preocuparam: o futuro do PPD/PSD. Quem iremos lá pôr agora, companheiros? Para mais com este aborrecimento das directas, onde os burros das bases votam assim, desgarrados, soltos, desorientados, coitados.
Quem irão agora buscar, dentro do vosso corpo de elite, para que se queime durante dois anos em que a oposição só pode ser feita se marcar pela diferença? Têm alguém que não saia de um brilhante escritório de advogados, de uma prestigiada instituição financeira, de um brilhante cargo académico, de uma promissora carreira internacional, que nos vá fazer o favor de comandar a corja balofa das bases?
Parece-me que não, porque os caros companheiros barões são o pior bluff da história do PPD/PSD, a vaidade personificada feita acção política de bastidores.
Os barões do PPD/PSD não dão facadas nas costas. Eles são as próprias facas. Os barões do PPD/PSD fizeram o partido sair do poder a nível nacional e esvaziaram-no em Lisboa. Corroem de forma lenta as estruturas legítimas do partido e tentam com golpes de teatro comandar o maior partido português na senda de uma estratégia consecutivamente mal explicada.
Basta! As bases estão fartas da vossa incapacidade, mediocridade e mesquinhez. Vamos lutar pelo ressurgimento do nosso partido, livre das sentinelas dos poderes instituídos que se auto-alimentam em regime rotativo.
Sempre as mesmas caras, sempre os mesmos discursos, sempre as mesmas lamúrias, sempre os mesmos inimigos, que são inexoravelmente de dentro do partido e nunca de fora dele. Assim se promova a liberdade de discussão nas estruturas locais.
Por mim atingi o limite de olhar para as vossas cinzentas figuras e apelo às bases para que vos atirem borda fora, elegendo nas próximas directas um social-democrata de sempre. Membro da secção concelhia de Vila Real do PSD
Pedro de Abreu Peixoto, in Público
29 de Julho de 2007
