Já basta!

A vida de um partido, aberto e plural como o PSD, deve ser debatida junto da opinião pública. É o que acontece nas democracias adultas. É pois importante que, durante os próximos dois meses, os portugueses debatam e tomem posição sobre o que pensam do papel que o PSD deve desempenhar.

Eu cumprirei com as minhas responsabilidades: fazendo e comunicando propostas, mobilizando os militantes e os cidadãos para um grande debate de cidadania. Hoje abordarei três temas: a problemática do pagamento de quotas, os apoios públicos aos candidatos e as fragilidades do Governo. Para poder votar nas directas de 28 de Setembro é necessário ter quotas pagas.

Ora, neste momento, o PSD só tem pouco mais de 20% de militantes com quotas pagas. Isso deve-se ao desinteresse em relação ao partido e à forma como se burocratizou esse procedimento.

Só se pode pagar quotas na sede central, em Lisboa, por cheque individualizado, por vale postal ou por transferência multibanco! Com um código PIN!! A relação humanizada, antes assegurada por um velho cobrador, foi substituída por uma relação como a que todos temos, por exemplo, com a EDP!

Acresce a atitude, inqualificável, de quem quer assegurar só o voto de um pequeno grupo de notáveis, de se terem escrito cem mil cartas a militantes devedores pedindo-lhes que telefonem para a sede do partido a pedir o código que permita o pagamento!

Para tal terão de dar o número de militante e bilhete de identidade e seis dias depois receberão uma carta com dados que permitirão efectuar o pagamento! Isto se, como está a acontecer, o pagamento não for rejeitado porque falta a certidão de casamento ou divórcio, a assinatura do vale postal não conferir com a do BI ou, pura e simplesmente, o pagamento ser recusado pelo sistema bancário!!!

Tudo isto é triste, tudo isto é feio! Nomeadamente quando se enche a boca com palavras co-mo credibilidade e consistência. É para mudar este estado de coisas que vou vencer. Mas para isso preciso que todos os militantes lutem contra esta monstruosidade administrativa, pagando as suas quotas e votando. Contra tudo e contra todos. Na última semana, foi paradigmática a dança dos apoios. Uma candidatura fugiu à discussão sobre a crise que originou, às responsabilidades na queda da Câmara de Lisboa, à falência na frente parlamentar, à mediocridade nas sondagens. Em alternativa, apresentou o apoio de duas centenas de ‘notáveis’, muitos dos quais só interessados em manter os seus lugares, mesmo que em troca de uma derrota anunciada em 2009.

A minha candidatura não se resigna ao insucesso. Quer vencer. Por isso é que jovens autarcas como Ribau Esteves, Telmo Faria ou Luís Gomes são a minha bandeira. Comigo os jovens quadros e a sociedade civil voltarão a ter no PSD um espaço de afirmação.

É com este PSD que quero construir que o PS terá de se preocupar. Um Governo PS que tem no currículo o recorde das promessas falhadas, do desemprego galopante, do crescimento económico ridículo, da arrogância exercida sobre sindicalistas, jornalistas, funcionários públicos, notários, magistrados, farmacêuticos e tantos outros grupos sócio-profissionais.

Este resultado da governação é a garantia de que está aí um povo à espera de um PSD diferente. Solidário, humano e dialogante – que quero protagonizar.

Luís Filipe Menezes

in Correio da Manhã

2 de Agosto de 2007

← voltar

Deixe Uma Resposta