Uma Nova Esperança

Nos últimos dois anos, o PPD/PSD tem revelado uma enorme debilidade enquanto (desejável) líder da oposição. Com frequência, o partido tem desaparecido perante situações e problemas graves do País, com uma liderança aparentemente satisfeita com os resultados (muito bons, mas já longínquos) das eleições autárquicas e presidenciais, para os quais, em boa verdade, pouco terá contribuído. Com raras excepções, o PPD/PSD não tem sabido apresentar alternativas mobilizadoras para os portugueses, levando uma larga maioria a questionar-se sobre as verdadeiras diferenças entre um potencial governo social-democrata e o actual governo socialista.

Neste contexto, não é de admirar que, apesar dos últimos “seis meses desastrosos” do actual governo (na expressão usada por Marcelo Rebelo de Sousa), continue a não se observar qualquer tendência para o crescimento das intenções de voto no PPD/PSD, traduzindo, afinal, um sentimento geral de preferência por um insatisfatório governo socialista em lugar de um desconhecido programa geral de alternativa social-democrata.

Ora, o País habituou-se a ver um PPD/PSD muito diferente: um partido com um rumo alternativo bem marcado e credível (e não apenas com uma meia de dúzia de propostas avulsas e, por vezes, até contraditórias), capaz de alimentar a confiança dos portugueses e de se posicionar contra quaisquer comportamentos de prepotência e arrogância como os que vêm pontuando os meses mais recentes da actual governação,

Também ao nível interno, os últimos dois anos evidenciam uma clara tendência para a degradação. Desde logo, pela falta de renovação, com o partido cada vez mais fechado, avesso a novas opiniões e ao aproveitamento de valores promissores, esquecendo até, em diversos locais, as simples obrigações estatutárias de reunião e discussão entre os seus militantes. Depois, pela quase inacreditável falta de comparência de certas “tropas” quando os combates se afiguram difíceis, com o exemplo recente de Lisboa a merecer saliência. Finalmente, pela falta de reformas internas que aproximem novamente os militantes e sejam capazes de os mobilizar.

Em resultado de tudo isto, o PPD/PSD aparece hoje aos olhos de muitos militantes e de muitos portugueses como um partido sem alma, sem convicções, predisposto a derrotas, liderado quantas vezes por quem só aparece quando se sente o odor do poder. A mudança é, pois, necessária, para o partido, mas sobretudo para o País, o qual, na senda do pensamento de Sá Carneiro, nunca poderá deixar de ser colocado em primeiro lugar.

Paradoxalmente, o desastre eleitoral de Lisboa permitiu uma “Nova Esperança” ao PPD/PSD (e ao País), ao obrigar a actual liderança do partido a antecipar as eleições directas. É neste contexto que a 28 de Setembro se verificará uma escolha entre duas alternativas bem distintas: de um lado, o conformismo, a manutenção do status quo, a derrota certa em 2009, para gáudio do actual governo; de outro lado, a mudança, a expectativa de regresso ao governo para benefício de Portugal, credibilizada pelos resultados obtidos no passado pelo seu protagonista (quer a nível eleitoral, quer na gestão e obra conseguida numa das maiores Câmaras do País) e pelas propostas que o mesmo vem apresentando (quer para o funcionamento interno e a renovação do PPD/PSD, quer para a governação do País).

Em circunstâncias similares, quando colocados entre este tipo de alternativas, os militantes do PPD/PSD optaram sempre pelo inconformismo e pela via reformadora, no que foram aliás acompanhados pela maioria dos portugueses: assim foi com Sá Carneiro no final dos anos 70 e com Cavaco Silva em 1985. Acredito que o mesmo sucederá em 28 de Setembro, com uma opção clara pela via protagonizada por Luis Filipe Menezes. E é assim que espero juntar o meu voto ao de muitos militantes e autarcas do PPD/PSD, numa larga maioria que catapultará o partido e o País para a mudança necessária.

Rui Henrique Alves
Professor Universitário (FEP – U.P.)
Presidente da Assembleia Municipal dos Arcos de Valdevez

in Público

29 de Agosto de 2007

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