Uma campanha alegre

É comum afirmar que o PSD é o partido mais português. Se olharmos para o seu trajecto e para a sua heterogeneidade constatamos a pertinência daquela afirmação.

O PSD, tal como Portugal, é capaz do pior e do melhor. E, tal como agora está a acontecer, mesmo quando não lidera a vida pública nacional consegue ser o alvo da atenção dos portugueses.

A campanha interna em curso tem pois tudo para ser interessante. Tal como já aconteceu no passado, na decorrência de iguais circunstâncias que apontavam para um longo afastamento do poder, conflituam duas visões da sua realidade. Uma indicia a aceitação da inevitabilidade do PSD não ter espaço para ser um partido grande. Esta visão, resignada, milita pela consolidação de um pequeno partido de quadros, unicamente preocupado com o acesso ao poder. Outra, ambiciosa e popular, deseja perpetuar o partido como um grande partido de massas, que combate sempre pela conquista de grandes maiorias reformistas.

Neste contexto, não é de estranhar que a razão de alguns poucos sem razão só se exteriorize através de métodos ínvios e rasteiros. Em menos de um mês já fui acusado de plágio, tive direito a reportagens tontas sobre a minha vida pessoal e, pelo que me chega, a saga caluniosa continua por aí. Paradoxalmente, do debate político fogem como o diabo da cruz.

Agradeço o desespero e a forma como estão a alimentar o mito da indestrutibilidade.

Tenho um blogue há dois anos. Um colaborador meu, o ex-jornalista Pedro Fonseca, gere-o. Sob a minha tutela vai lá colocando os artigos que publico semanalmente e, em textos da sua lavra, chamadas de atenção sobre assuntos que no quotidiano vão chamando a minha situação. Seja a morte de Bergman ou os cem anos do nascimento de Torga. Através de textos que obviamente não censuro e que alguém agora constatou serem “criminosamente” pesquisados na Wilkipedia.

Com o Pedro a percorrer a estrada 66, ter-me-ia sido fácil crucificá-lo. Ao contrário, assumi a responsabilidade do seu “erro” e reafirmo aqui e agora a minha confiança nas suas competências e lealdade.

A vida pessoal e familiar deve ficar sempre fora do debate público, nomeadamente, como é o meu caso, nunca a usei como forma de afirmação pessoal. Ora, tal não impediu que, ao longo destas semanas, familiares e amigos tenham sido incomodados e que, até este jornal, o meu jornal, onde escrevo militantemente, sem honorários, há seis anos, se tenha desdobrado em contactos que procuraram devassar a minha privacidade! Não é por isso que aqui deixarei de escrever. Não acredito na censura.

Como não sou totalmente destituído de discernimento, tudo isto tem um traço comum e liga com o discurso político contra mim esgrimido. Esse discurso não se atreve a contestar o meu percurso profissional e universitário, não contradita a minha competência governativa, os meus sucessos eleitorais ou a minha obra em Gaia. Cobarde e insidiosamente só ataca a minha personalidade e o meu carácter.

Perdem o seu tempo. A minha resistência psicológica é inabalável e um dia destes, mesmo que contrariados, ainda vão ter de discutir o País e os seus problemas comigo.

É a vida!

Luís Filipe Menezes

in Correio da Manhã

30 de Agosto de 2007

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