As eleições directas para a liderança no PSD que põem em confronto Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, mais do que servir para escolher a personalidade de um líder, são a oportunidade que o partido tem para encontrar um líder carismático, corajoso e com obra feita capaz de conduzir o PSD a uma vitória eleitoral em 2009 sobre o PS de José Sócrates. Esta é a verdade e talvez o único ponto em que o meu companheiro e eurodeputado Silva Peneda tem razão no artigo que aqui nestas páginas escreveu no passado dia 23.
O que os militantes sociais-democratas devem ter em conta no momento da escolha é quem de entre os dois candidatos tem de facto capacidade para derrotar um Governo que engana os portugueses, que prometeu e faz diferente desses compromissos eleitorais, que paulatinamente afasta Portugal da média do crescimento europeu, que abandona o interior do país e despreza toda a raia da fronteira com Espanha, que afronta por estratégia e sem objectividade os funcionários públicos, que ataca violentamente e insulta professores, juízes e médicos, não cuida dos seus agentes de segurança (GNR e PSP), que é incapaz de combater eficazmente o desemprego e que, principalmente, se mostra absolutamente incapaz de inculcar sentimentos de confiança e optimismo na nossa sociedade, fundamentais para o decisivo arranque de uma retoma económica que relance o desenvolvimento de Portugal.
Isto apesar de uma maioria absoluta no Parlamento e de um presidente da República conhecedor, interessado e capaz de uma cooperação institucional no sentido dos melhores interesses dos portugueses.
Pois, apesar de estas premissas serem genericamente reconhecidas, de os portugueses há praticamente dois anos não disfarçarem o seu estado depressivo, de os mais variados sectores sociais (os citados e outros) mostrarem ciclicamente o seu desagrado para com o Governo e o seu primeiro-ministro, de o estado de graça de José Sócrates estar há muito desfeito, de a generalidade dos indicadores económicos e as interpretações deles feitas pelos especialistas arrasarem o Governo socialista, de a carga fiscal ser progressivamente asfixiadora da vida das empresas e das famílias, de a classe média se estar a proletarizar face à perda real de salários e aos sucessivos aumentos das taxas de juro, de o desemprego ser um flagelo sem fim à vista que condiciona e desmoraliza mais de meio milhão de portugueses, de o futuro da Segurança Social ser uma angústia permanente da nossa sociedade, de a Saúde e o Ensino causarem níveis de descontentamento com os respectivos ministros quase sem par na história da democracia, de o Governo ter o mais alto índice de contestação pública dos últimos 15 anos… Pois, apesar de tudo isto e de muito mais, os portugueses, com os índices de impopularidade com que brindam o Governo e os governantes, continuam nas sondagens e estudos de opinião a dar preferência eleitoral ao Partido Socialista…
Isto é um facto e não vale a pena vir dizer que “as sondagens valem o que valem…”, porque elas valem bastante. Entre actos eleitorais, o instrumento político de avaliação de políticas, de tendências de opinião ou de intenções é a sondagem/estudo de opinião. Não há outro, seja na vida política ou na dos negócios. É a ele que partidos, candidatos ou empresas recorrem para se orientarem e definirem estratégias.
A verdade é que os portugueses não vêem alternativa no actual PSD. A verdade é que os portugueses fazem saber todos os meses, todas as semanas, em todas as auscultações que Marques Mendes não lhes serve para derrotar José Sócrates.
Não vale a pena insistir. O actual líder do partido, com todas as qualidades que possa ter, nunca apresentou um discurso mobilizador, as suas propostas alternativas à governação socialista não são convincentes e muito menos galvanizadoras. No Parlamento, apesar da “experiência” que os seus apoiantes pregam, sai regularmente derrotado por José Sócrates e na opinião pública; e quanto a carisma estamos conversados…
Marques Mendes nem dentro do partido consegue essa mobilização ou um mínimo de estabilidade - desde Pombal que as equipas por ele lideradas são um foco de instabilidade e falta de consistência com a demissão de relevantes elementos da Direcção Nacional que ele mesmo escolheu. Exemplos desse processo degenerativo são as demissões de Pedro Passos Coelho ou de Luís Paes Antunes, vice-presidentes do PSD, ou ainda de Assunção Esteves, Vasco Rato, entre outras saídas. Estabilidade, consistência e credibilidade não se afirmam com esta constante procissão de saídas e demissões. Além da “colecção” de figuras mais ou menos históricas, muitas dependentes na sua vida pública ou do Estado ou da generosidade da liderança partidária no momento da escolha das listas de deputados, eurodeputados, gestores públicos ou outros lugares, a verdade é que, entre os militantes que diariamente transportam o nome do PSD e o defendem vigorosa e entusiasticamente sem esperar benesses ou lugares, a maioria não está com ele, como, se deixarem, vão demonstrar no próximo dia 28 de Setembro.
E vão demonstrá-lo votando em Luís Filipe Menezes, na esperança que têm num militante, num autarca, num dirigente que tem obra feita e reconhecida, ao ter liderado a transformação de Vila Nova de Gaia de um território desqualificado e subdesenvolvido num espaço dinâmico, moderno e ambientalmente exemplar, que hoje é um pólo de atracção de investimento e população que procura a sua qualidade de vida.
Ainda mais que apresenta propostas inovadoras para os portugueses e também para o partido, que é capaz de mobilizar como demonstram as sondagens até hoje publicadas que o dão à frente de Marques Mendes, quer internamente, quer entre os portugueses, apesar de todos os ataques pessoais que a candidatura adversária lhe tem dirigido.
Não vale a pena, como fez Silva Peneda aqui, Paula Teixeira da Cruz na SIC e outros o farão por aí, coleccionar aparentes contradições (sempre as mesmas quatro ou cinco numa vida política de três décadas, certamente alinhavadas por algum especialista de recortes e distribuídas pelos encarregados de denegrir a imagem de Luís Filipe Menezes), porque se percebe facilmente que são retiradas de contextos históricos do momento e nunca têm em conta as circunstâncias políticas em que determinadas posições terão sido tomadas - ou, por exemplo, o PSD foi sempre contra a Ota? Onde estava Marques Mendes no Governo Barroso que deu andamento ao processo da Ota? E Cavaco Silva ou Durão Barroso não têm uma posição de prudência semelhante à de Luís Filipe Menezes face ao referendo europeu? E afinal qual é a posição de Marques Mendes? Será que é igual à sobre o aborto? Quanto à campanha eleitoral em Braga nas últimas legislativas, com resultados excelentes, diga-se, foi ou não um serviço feito ao partido por Luís Filipe Menezes? E vale agora vir criticar essa atitude de abnegação e de humildade feita a pedido da Direcção de então? A verdade que é mais fácil discutir ou mesmo procurar contradições nas opiniões e nos discursos de Luís Filipe Menezes do que nos de Marques Mendes. A explicação é muito simples é que o primeiro tem pensamento político conhecido, exprime-o semanalmente por escrito, em artigos de opinião, em debates e em fóruns… Marques Mendes cala-se, repete banalidades e frases feitas. É o expoente máximo do politicamente correcto!
É a diferença entre a possibilidade de o PSD voltar ao poder e dar uma nova esperança a Portugal e o cinzentismo de uma liderança condenada à derrota e em que infelizmente os mais calculistas, os que esperam assim manter lugares ou defender os seus interesses particulares apostam.
Por fim importa recordar por que está o PSD em eleições? A razão destas directas residem tão-só no facto de o actual líder ter conduzido pessoalmente o processo eleitoral e político da Câmara de Lisboa, desde há dois anos para cá, com o epílogo humilhante do resultado de 15 de Julho. Nessa noite Marques Mendes compreendeu o fracasso da sua liderança e o desastre a que havia conduzido o PSD quando em 2005 resolveu ajustar contas com Santana Lopes e ter humilhado este ex-primeiro ministro e então presidente da Câmara de Lisboa, afastando-o de uma recandidatura nessas autárquicas ao lugar que exercia e candidatando o então vice-presidente Carmona Rodrigues. Pela primeira vez na história do PSD, um ex-presidente do partido e ex-primeiro ministro foi sujeito a tão humilhante e inqualificável vexame. Não se pode liderar dividindo, humilhando, perseguindo ou ignorando os militantes do PSD. Nesse dia de 2005, Marques Mendes deu início a um consulado de liderança profundamente marcado, até hoje, pela intolerância e pelo sectarismo.
O PSD quer unidade, determinação para vencer em 2009 e sabe que só com Luís Filipe Menezes tal será possível.
in Jornal de Notícias
2 de Setembro de 2007

9 de Setembro de 2007 at 18:08
Companheiros!
Estive, estou e estarei incondicionalmente com Luis Filipe Meneses para bem de Portugal e do Partido Social Democrata.
Até à vitoria!
Carlos Marcos