QUEM NÃO DEVE…

Não vamos recordar os tempos em que dirigentes do PSD se deslocavam a eventos partidários em helicópteros do Estado.

Há uma semana decidi que ia em campanha eleitoral ao arquipélago dos Açores. No mesmo momento decidi qual o grupo de colaboradores que me acompanharia e que teria de visitar, em escassos dois dias, as cinco ilhas onde vivem a maioria dos militantes social-democratas insulares.

Face a este objectivo constatamos que necessitaríamos de um mínimo de cinco dias para fazer este périplo em linhas aéreas regulares. A discussão sobre a forma como deveríamos gerir a concretização deste desígnio prolongou-se num debate que se seguiu e no qual participava um grupo de empresários.

Entre eles um amigo de há mais de década e meia disponibilizou-se para colocar ao meu dispor o seu avião de seis lugares. Aceitei de imediato. Entre os meus colaboradores houve quem alertasse para o perigo de tal viagem ser polemizada pela Comunicação Social.

Face a essa observação impus a minha vontade: aceitar sem hesitações essa gentil oferta. Porque os custos da viagem nas carreiras comerciais e respectiva estadia mais prolongada ficariam pelo custo decorrente da viagem no pequeno jacto privado.

Porque cumprimos escrupulosamente as normas legais em vigor. Porque ninguém me pediu nada, nem eu tenho nada para dar a ninguém. Quem me quer apoiar fá-lo de acordo com as suas convicções e a pensar no que melhor serve o PSD e Portugal.

Porque o empresário em apreço nunca teve qualquer tipo de negócios com a Câmara a que presido. Porque, principalmente por esta razão, acho que um combate político deste género exige também a coragem de fazer pedagogia cívica. Neste caso, de assumir com transparência uma atitude descomplexada de quem, sendo sério, acha que não de que viver sob o anátema de que ter amigos a quem a fortuna sorriu é um crime ou uma vergonha.

Notícias sobre este assunto fazem-me ter pena do meu querido País, onde ainda continua a reinar a supremacia da inveja, da hipocrisia e da mesquinhez. Como tem sido hábito, a candidatura que se me opõe não resistiu à tentação de cavalgar essa onda farisaica. Pela voz de um companheiro, a quem ainda há uma semana concedemos a comiseração do nosso silêncio, fomos de novo maldosamente atacados. A nossa resposta é clara e radical. Não vamos atacar pessoalmente ninguém. Não vamos recordar os tempos em que dirigentes do PSD se deslocavam a eventos partidários em helicópteros do Estado. Não vamos protestar contra o desenvolvimento de campanhas que usam eventos institucionais partidários para assim subsidiarem a sua candidatura. Ao contrário, continuaremos com coerência o nosso caminho. Com o apoio das bases revoltadas contra tanta letargia. Com o apoio das elites culturais, desportivas e empresariais . Se neste contexto houver alguém que acreditando em nós e nada nos pedindo nos puder ajudar a estar presentes junto das comunidades portuguesas ou dos nossos companheiros da Madeira aceitaremos de bom grado. Porque não temos outros meios para cumprir os nossos objectivos, porque estamos a cumprir religiosamente a lei. Queremos um Portugal descomplexado e verdadeiro. A nossa vitória servirá para isso.

Luís Filipe Menezes

in Correio da Manhã

6 de Setembro de 2007

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Uma Resposta a “QUEM NÃO DEVE…”

  1. Fernando Ferreira diz:

    O DR. Luís Filipe Menezes tem toda a razão!
    Tenha a certeza que o partido só consiguirá um bom resultado nas próximas legislativas com um homem dinâmico , sério e determinado como o é o Dr, Luís Filipe Menezes.
    Um abraço do Militante Fernando Ferreira (Cinfães)

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