Mal vai uma civilização que aliena os seus princípios doutrinadores em troca dos interesses mais imediatistas.
Luís Amado, um ministro por quem nutro particular simpatia pessoal, respondeu de uma forma inopinadamente agreste a uma pergunta de um jornalista sobre a possibilidade de o Governo vir a receber oficialmente Sua Santidade o Dalai Lama. “Como é óbvio não o recebo!”
A realpolitik no seu pior. Na substância e, principalmente, na forma. O Governo Sócrates mimetiza o Governo Guterres. A China, grande império emergente, tem direito a todos os desplantes a troco da convivência com a sua gigantesca economia.
A China é hoje o paradigma do capitalismo mais selvagem e desumano que alguma vez terá sido praticado à superfície da terra. Em paralelo ainda se dá ao luxo de ter uma parte alargada do seu território e dos seus cidadãos debaixo de uma feroz ditadura comunista.
Violadora dos mais elementares direitos do Homem, ignorante dos mais básicos preceitos de políticas sociais, predadora do ambiente. Vê o Mundo a seus pés só porque anualmente coloca uns milhões de consumidores à mercê da divina economia liberal de mercado.
Mas mal vai uma civilização que aliena os seus princípios doutrinadores em troca dos interesses mais imediatistas. Mal vai a Europa quando radicaliza as suas posições em relação ao tirano, mas relativamente ‘pobre’ Mugabe, e ignora olimpicamente a história de genocídio selvagem que varreu o Tibete. Não receber o guia espiritual de 400 milhões de seres humanos, portador de uma mensagem permanentemente pacífica e tolerante, é lastimável. Fazê-lo com aspereza envergonha-nos.
Chegou a altura de a Europa começar a ganhar juízo e perceber que a agenda da Organização Mundial do Comércio não pode circunscrever-se a questões importantes mas menores face ao imbróglio estruturado pela actual mundialização. Não será a regulação do dossiê agrícola nem a definição consensual de tarifas aduaneiras que colocarão o Mundo nos eixos.
A Europa precisa de introduzir rapidamente na discussão a necessidade de harmonizar comportamentos à escala global. Enquanto a Oriente a economia funcionar com o trabalho infantil, enquanto por lá não houver férias, apoio ao desemprego e direito a reforma, enquanto as suas fábricas continuarem a envenenar o Ganges, o Mekong ou o rio das Pedras, não haverá competitividade económica possível.
A Europa tem de perceber que a solução não passa por destruir o seu paradigma de vida, nomeadamente o Estado social Europeu. Estas verdades têm de começar a ser ditas. Portugal pode fazê-lo, a começar pelo partido que lidera a oposição. Aliás um bom exemplo seria o líder do PSD, na qualidade de alternativa a José Sócrates, dar o exemplo e receber o Dalai Lama.
Foi com esta firmeza de princípio que se impôs Sá Carneiro. Lembram-se qual foi o primeiro país a denunciar a invasão soviética do Afeganistão?
Luís Filipe Menezes
13 de Setembro de 2007

17 de Setembro de 2007 at 22:38
Obrigado, muito obrigado.
Até que enfim um político em Portugal, alguém que vê “mais longe do que a ponta do seu nariz”. Se tinha intenção de votar em si, essa intenção sai, mais uma vez, reforçada.
Portugal tem, ou melhor tinha, uma tradição de respeito pelos direitos do homem, pela tolerância, pela paz no mundo, digo tinha, porque consigo como primeiro ministro de Portugal em 2009, Portugal voltará a ter essa tradição. Não sei se a mensagem que eu lhe mandei lhe “aguçou” o apetite ou não relativamente ao assunto, mas nem sequer é importante, o importante é que o futuro do PSD passe por essas questões e não por “arruaças” no Parlamento.
Dia 28, o PSD será outra vez:
“Art.º 1º - Finalidades
1. O PPD/PSD tem por finalidade a promoção e defesa, de acordo com o Programa do Partido, da democracia política, social, económica e cultural, inspirada nos valores do Estado de Direito e nos princípios e na experiência da Social-Democracia, conducentes à libertação integral do homem.”
Alguns esquecem-se das primeiras linhas…. outros não.
Um abraço
Jorge Matos - Militante 132484 - São Martinho do Campo - STS