Uma Nova Era na Vida Partidária? A lição do PSD.

Começo por saudar a eleição do novo líder do PSD por decisão de milhares de militantes.

E por lamentar que alguns “elitistas” por contraposição ao que consideram ser o “populismo” se tenham logo manifestado de forma “abrupta” contra um decisão democrática só por que diferente da sua.

O PSD que agora decidiu é seguramente muito mais o PSD de todos do que o PSD do Dr. Pacheco Pereira que ninguém legitimou para falar pelo PSD que faz campanha eleitoral  evitando o contacto com as populações, ou do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa que utiliza num espaço público técnicas de persuasão “a gosto”.

Não que uns sejam melhores ou piores, mais ou menos importantes que os outros, uns e outros são importantes e necessários mas das elites, por isso mesmo, seria de esperar mais bom senso e discernimento não dividindo o mundo apenas em bons e maus.

Muitas das denominadas elites do PSD surgiram na vida política –partidária com vinte, trinta anos porque lhes foi dada uma oportunidade  esperando-se que fizessem o mesmo relativamente às gerações seguintes. O que se verificou foi o inverso, à mingua de lugares no poder ou administração central as “figuras” começaram concorrer a lugares nas autarquias locais, o que como ideia nem era má não fora os “elitistas” não querem concorrer onde houvesse grande risco de perder ou, pior ainda, não assumirem os lugares conquistados por manifestação de confiança do eleitorado em eleições democráticas.
Com todo o respeito, apesar do meu pouco crédito por ser dos  populista apesar de gostar de ler e escrever umas coisitas, já ter ganho umas “eleiçõesitas” e nunca me ter demitido dos cargos que me confiaram,  gostaria de saber se as elites consideram intelectualmente sério aceitar ser cabeças de cartaz para lugares que não vão assumir?  Estas decisões partidárias e este tipo de atitudes têm levado à descredibilização da política e dos políticos  tornando-se  numa  desconsideração por muitos outros valores do partido, levando a um afastamento de quadros, num assumir que vale mais “aparecer do que ser”,  pensando que as pessoas, o povo, não percebem,  em suma,  em enganar as pessoas.

Um líder de opinião não é apenas aquele que tem acesso à televisão, esses são apenas mais conhecidos a um nível global, mas há muitas outras formas de liderança de nível micro, mais local, tão ou mais importantes para as pessoas e para os resultados finais da estrutura global.  Estes resultados assim o demonstraram.

O PSD foi definhando até se tornar na sombra dos últimos tempos quando se tornou num partido de Barões fechado internamente, virado para dentro de si mesmo, com uma liderança que não ia à luta não afirmava ideias e ideais mas aguardava passivamente o seu momento, gastando a energia em lutas de bastidores, corrida aos lugares, caça a quem tinha opinião e a afugentar militantes. Esperamos que tudo isto venha a acabar.

O PSD sempre se afirmou como um partido de raíz iminentemente popular tendo os seus períodos de populismo coincidido com grandes vitórias e os seus momentos de elitismo em derrotas. È só ver os resultados eleitorais de uns e outros.

O PSD afirmou-se enquanto foi um partido de discussão e participação, não era por acaso, que sempre foi o maior partido a nível autárquico mesmo nos períodos mais avermelhados do inicio da nossa era democrática. As pessoas reviam-se nos seus candidatos, sentiam que podiam participar e serem ouvidas.

Estas eleiçõe no PSD permitiram abrir o partido às pessoas, militantes ou não, cortar com a cultura de manipulação interna e voto por delegação, por as pessoas a discutir a vida partidária, divulgar e fazer renascer para a comunicação o PSD. Esperamos assim continuar.

Nestas eleições foi eleito um Homem do Norte, e sem bairrismos, esperamos que também isso seja uma lição, esperamos que se perceba não ser necessário viver em Lisboa para poder ascender, ter ambição, conquistar e ocupar lugares, que o País é um todo e que todos os cidadãos têm iguais direitos e oportunidades. 

Sistemáticamente ouvimos afirmar que o funcionamento interno dos partido se tem vindo a constituir como um espartilho à participação e uma causa do afastamento de muitos da actividade partidária e da participação política em geral estas eleiçõe foram um exemplo de quando à opções e não há constrangimentos os militante participam, entusiasmam-se e decidem.

Nesse sentido espero que este momento seja o inicio de uma nova era não só para o PSD mas também para a vida interna dos partidos.

Os próximos dias são cruciais para a união do partido, para a constituição de equipes, orgãos, lideranças e para a afirmação do líder, espero um  partido com bom senso.  Do novo líder é esperado serenidade mas muita combatividade.

Por isso, espero que os “PSD’s” se unam, que discutam e discordem internamente ( vem aí o Congresso) mas que se unam no essencial que é o combate à politica de “mercearia” do desvario do corte a qualquer preço sem consideração pelas pessoas e sem objetivos sociais. 

Aurora Vieira - ex-Deputada à Assembleia da República

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