Tenho sido acusado, por alguns opinadores bem pensantes, de mudar frequentemente de opinião. É isso mesmo, mudar de opinião, qual crime de lesa-majestade. A bem da verdade e da investigação das gerações vindouras, permito-me deixar aqui a minha defesa, alicerçada em factos e provas documentais.
Nem sequer chamo à colação as autênticas piruetas, cambalhotas e posições mais ou menos contorcionistas protagonizadas, nos últimos dias, pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, seja no que diz respeito ao novo aeroporto, à baixa de impostos, à criação de 150 mil postos de trabalho, ao referendo ao Tratado europeu, etc.
Comecemos pelo novo aeroporto. Desde o início deste processo que o Governo tinha definido um local, a OTA, tido como a solução ideal e irreversível. Desde o início que que me opus a tal localização.
Vamos às provas. Em 24 de Novembro de 2005, escrevi que a polémica em torno da construção do novo aeroporto não deve servir para destruir a nossa auto-estima, nem ser aproveitada para crucificar ninguém, como aconteceu com a polémica criada em torno da construção do Centro Cultural de Belém, era o Prof. Cavaco Silva primeiro-ministro.
Em 1 de Maio de 2006, há quase 2 anos atrás, ao discursar no almoço de 1º de Maio dos TSD, defendi que o então presidente do PSD, Marques Mendes, devia liderar um movimento cívico nacional contra a construção do novo aeroporto na OTA, um projecto que classifiquei de “um embuste”.
E exortei ainda Marques Mendes a dizer aos portugueses se queriam um novo aeroporto ou, pelo contrário, se preferiam mais creches, centros de dia, ensino básico de primeiro mundo, mais investimento em tecnologias de investigação. Titulava o jornal Público em 2 de Maio de 2006: “Menezes desafia Mendes a lançar movimento contra OTA e TGV”.
Quanto aos impostos, a minha posição sempre foi muito clara. Na moção de estratégia ao congresso de Torres Vedras, em Setembro último, disse: “O Governo Socialista assentou toda a sua política económica no objectivo único de atingir o equilíbrio orçamental com base, exclusivamente, no aumento da receita, através de um agravamento muito significativo de toda a carga fiscal. Em menos de um ano sofreram agravamentos significativos nove impostos, particularmente o IRC e o IVA.É claro que o objectivo da promoção do crescimento económico, na perspectiva da actual legislatura, já não assentará na capacidade de actuar de forma razoável e efectiva, na contenção do aumento da despesa pública e, muito menos, na sua necessária diminuição.
Assim, condicionado pela má governação socialista, o PSD não poderá dar o seu apoio à diminuição de impostos, nomeadamente do IRC e do IVA, antes que seja visível uma consolidação orçamental sustentada, objectivo só atingível quando o deficit atingir valores claramente abaixo dos 2 % do PIB”.
Como se vê, quem é que muda de opinião? Eu ou o primeiro-ministro, que diz um dia que não baixa impostos e no dia seguinte diz que os baixa, para depois voltar a dizer que não baixa, e assim sucessivamente.
Mudar de opinião não é crime lesa-majestade quando aparecem factos supervenientes ou quando há mudança radical das circunstâncias. Sei que costumo ter razão antes do tempo. Em 1992, no congresso do Porto, apresentei uma moção em que defendia a integração do PSD no grupo parlamentar europeu do PPE, em que defendia o referendo à regionalização e o sufrágio directo para a eleição dos órgãos distritais. A moção não passou.
Quatro anos mais tarde, na liderança de Marcelo Rebelo de Sousa, estas minhas propostas foram assumidas: houve referendo à regionalização; o PSD passou a integrar a grande família europeia do PPE e os órgãos distritais do partido começaram a ser eleitos por sufrágio directo e universal. Sei que costumo ter razão antes do tempo. Paciência.
23 de Janeiro de 2008 at 22:08
Está sim no caminho certo Drº Menezes,acredita nas suas convicções optimo, tambem todos os que o elegeram acreditam no Senhor,os impostos é claro que teem de ser revistos,baixarem iva e
irc,pode crer que a maioria dos Portugueses agradecem,pricipalmente as pequenas e médias empresas.
Agora cada vez mais aparecem os santos da casa a dar palpites
pela negativa.
Maria Porto
24 de Janeiro de 2008 at 14:12
Os opinadores são, geralmente, políticos frustrados. E têm o valor que têm.
Vá em frente, lute… por um Portugal melhor.
25 de Janeiro de 2008 at 13:45
Muito bem.
É natural que nesta fase de afirmação de liderança no PSD, mas sobretudo pelo que ela representa para a mudança no país, surjam estes “ataques” quer do aparelho, quer dos instalados pelo governo socialista.
Paciência, temos um rumo, os portugueses acreditam e vamos ser governo em 2009, consigo a primeiro ministro, e se fôr preciso contra “ventos e marés”.
O fundamental é manter o nosso rumo e estarmos atentos ao que aí vem de intochicação quer de dentro, quer de fora.
Dr. LFM, seja igual a si próprio.
um abraço
Luis Artur
25 de Janeiro de 2008 at 16:23
É triste mas é assim…
Antes de Setembro, a maioria desses senhores pouco fez para afirmar o PSD como alternativa credível ao Governo…
Agora, quando começam a ver que VAMOS derrotar o PS e o Sócrates… Observamos os seu mau perder, a sua frustração porque vamos conseguir aquilo que se dizia impossível com a anterior liderança…
Não critico o facto da liderança anterior ter corrido mal… Critico quem não é capaz de ultrapassar essas dores e começar a trabalhar em prol do partido.
Será que só podemos ter vitórias no PSD quando somos nós a liderá-las? Da forma que anda a política, que sejam terceiros a vencer porque a inveja é…. muito feio!!!!
Força LFM, Força PSD
Marcelo Cerqueira
25 de Janeiro de 2008 at 17:19
Caro Presidente LFM, va em frente e não pare nunca rumo a um Portugal Melhor…
JAMAIS deixe de ser um homem como tem sido ate hoje, ou seja UM GRANDE HOMEM.
A quem o acusa de mudar de opinião, apenas e só uma palavra. Mudar, precisamos TODOS. Mas, mudar só para MELHOR. E, pelo andar da carruagem não teremos que esperar muito…. Porque, acredito que, as tantas ate ja lhes ter passado pela ideia de tb mudar a data…. MAS, as eleições são ja em 2009… Depois falamos porque, … PORTUGAL PRECISA DE MUDAR PARA MELHOR.
25 de Janeiro de 2008 at 17:56
Caro Dr. Menezes,
Quem deve andar preocupado não é o Senhor.
Quem tem de estar preocupado são os autores de rótulos como “o País está de tanga” ou “nem mais um euro para o euro”… Esses sim, devem andar preocupados pelo Estado em que deixaram (e deixam) o País.
Alguns ainda têm a lata de ir “festejar” os Reis…
Deviam andar deprimidos por terem implementado políticas inconsequentes que abriram caminho a um PS de Sócrates ainda mais inconsequente e exibicionista do que o de Guterres que nos deixou no pântano…
Consigo poderá aparecer uma nova oportunidade. A oportunidade de verdadeiramente mudar. O verdadeiro fim do centrão de interesses.
27 de Janeiro de 2008 at 0:58
Desde muito nova ouço o povo dizer”os cães ladrão e a caravana passa”, pois de facto é essa a questão o importante é que o Senhor continue o seu trabalho nos mesmos moldes do que tem feito até hoje…os demais falam, falam, mas não passa de uma espécie de critica oca e sem grande fundamento
30 de Janeiro de 2008 at 13:54
Tenho tido algumas duvidas sobre a estratégia actual do PSD. Há uma obsessão incompreensível com a comunicação e imagem e menos preocupação com a substancia politica.
Gostaria que o PSD se afirmasse definitivamente como oposição credível a este governo hipócrita e falsamente socialista.
30 de Janeiro de 2008 at 14:46
Só os burros não mudam, quando as circunstâncias mudam, no entanto este provérbio não se aplica ao seu caso. Continue a refazer o partido sem parsitas ou. sanguessugas . Os militantes votaram em si. Quanto aos necrófagos que pensavam alimentar-se do cadáver do PSD, deixe-os continuar a crucitar, pois não passam de incapazes, invejosos e ressabiados mal-dizentes a quem nunca vi fazer nada. de útil pela humanidade..
26 de Fevereiro de 2008 at 11:27
Mudar de opinião é uma virtude e não um defeito. Mudar de opinião com base em novos dados técnicos, com base em novas conjunturas económicas e sociais é uma qualidade que todos nós devemos possuir. Permita-me apreciar esta qualidade.
Gostaria apenas de salientar a minha posição em dois domínios:
1- Não sou a favor de um movimento contra OTA e TGV. Sou a favor de um movimento positivo que em tenha a vista a dinamização e progresso do país. Mas, perante OTA e TGV em simultâneo digo NÂO. Será que faz sentido se gastar milhões de euros numa ligação ferroviária Porto-Lisboa para se dispender menos 20 a 30 minutos numa viagem? Será que é por existir TGV em Portugal que estamos mais perto em termos competitivos da nossa vizinha Espanha?
2- A sua posição quanto à baixa de impostos é muito coerente. Fiquei satisfeito em saber que existe um critério de consolidação das contas públicas para a baixa de impostos. Um deficit de 2% abaixo do PIB é um critério que me parece acertado. Contudo, esta posição do PSD não tem tido a ampla divulgação junto da Comunicação Social. Gostaria de ver esta posição defendida perante os restantes partidos e perante a sociedade portuguesa.
Um abraço,
Fernando Almeida.