GRUPO TRABALHO DA SAÚDE
COMUNICADO A deslocação do Primeiro-Ministro a Estremoz para visitar o Serviço de Urgência Básica local é mais uma das suas tentativas de cobrir os males com mistificação. É preciso que o povo português saiba que o Serviço de Urgência Básica de Estremoz não possui as condições necessárias para cumprir as suas funções com segurança. Na sua quase totalidade funciona com médicos e enfermeiros contratados, recém-licenciados, e sem formação
em Suporte Básico e Suporte Avançado de Vida. O que o Engenheiro Sócrates foi dar como aberto não tem mais condições do que o SAP anteriormente existente: o laboratório existente fechou, a radiologia tem apenas um técnico do quadro e quatro contratados e, portanto, não pode manifestamente assegurar a cobertura ao longo do ano 24 sobre 24 horas. A química seca é racionada e os electrocardiogramas são analisados e relatados por telemedicina.
A leviandade com o que a reforma das Urgências foi executada só tem causado esperas infindáveis, sobrelotação, sofrimento e mortes. A responsabilidade de tudo o que tem acontecido é integralmente do Governo e do Primeiro-Ministro, o qual com a sua insensibilidade tem gerado um rol sem fim de problemas às pessoas que sofrem com as suas decisões. Na mesma altura que o Eng. José Sócrates se desloca a Estremoz para dar cobertura a esta mistificação que põe em causa a segurança dos doentes, os Chefes de Equipa de Urgência do Hospital de S.
Francisco Xavier, em Lisboa apresentam a sua demissão, por não terem condições para o exercício seguro das suas funções. Por outro lado, a Urgência do Hospital de Vila Franca de Xira vive momentos dramáticos com pessoas a esperarem oito horas para serem atendidas, algumas correndo riscos inaceitáveis.
A situação é de tal ordem que muitos de nós não se podem sentir seguros face às condições criadas. A propalada Reforma das Urgências falhou. Não podemos ainda calar a nossa indignação quando continuam a morrer pessoas porque as ambulâncias e as VMER do INEM não chegam a horas para atender doentes em situações de emergência, como aconteceu ontem em Canelas do Douro, Peso da Régua, com um idoso que faleceu depois de esperar quase duas horas por transporte. Este é a mais recente de uma longa série de mortes de pessoas a quem não foi assegurado transporte atempado. Como pode nestas circunstâncias o Primeiro-Ministro falar de mais segurança se ela está diariamente a ser posta em causa por decisões ou má gestão do seu Governo?Entretanto, as demissões sucedem-se no Ministério da Saúde, sendo a última a do responsável da Unidade de Missão para os Cuidados de Saúde Primários, Dr. Luís Pisco. Apesar de não ter sido aceite pela Ministra da Saúde, a verdade é que a mesma traduz o impasse em que entrou mais uma reforma emblemática deste Governo. As Unidades de Saúde Familiar correm sérios riscos de chegarem a um beco sem saída, apesar do potencial de melhoria que possuem. A estratégia de implementação da reforma está agora a evidenciar ter sido errada; começando pela parte final, antes de assegurar as condições de êxito.A boa vontade dos médicos que voluntariamente aderiram às USF está a ser posta à prova, quando o que lhes é exigido é muito superior ao que lhes é dado. Os conflitos sucedem-se, como é inevitável.Acresce ainda que as populações do interior do País foram mais uma vez secundarizadas com esta Reforma, sabendo-se que mais de dois terços das USF se situam numa estreita faixa litoral do Norte e do Centro do País.Em resumo, a estratégia política na Saúde falhou. A mistificação vem agora, como última arma, tapar os problemas gerados pela insensibilidade, a incompetência e o erro. O Coordenador do Grupo Trabalho da SaúdeDr. Arlindo de Carvalho
2008.04.16.