“O facto de ter sido lançado o concurso do primeiro troço da linha Lisboa/Madrid sem que tenhamos nenhuma data da linha do Norte (…) está a criar um alarme social no Norte de Portugal e na Galiza”, refere Menezes na carta enviada a José Sócrates, a que a Lusa teve hoje acesso.
Nesta carta, datada de 23 de Junho, o presidente do Eixo Atlântico recorda que “o atraso da linha portuguesa (Porto/Valença) poderia eventualmente afectar a parte espanhola desta ligação, o que está a provocar chamadas de alerta” dos líderes económicos e sociais do Norte de Portugal e da Galiza.
Por essa razão, o presidente do Eixo Atlântico, apelando ao “bom senso” de José Sócrates, solicita uma audiência “com urgência” ao primeiro-ministro português para analisar esta questão.
A decisão de enviar esta carta foi tomada na reunião da Comissão Executiva do Eixo Atlântico realizada a 2 de Junho em Gaia.
No final dessa reunião, em declarações aos jornalistas, Luís Filipe Menezes manifestou preocupação pelos atrasos no processo da linha ferroviária de alta velocidade Porto/Vigo, admitindo que pode estar comprometido o objectivo de ter a ligação pronta em 2013.
“Ainda há condições para cumprir o objectivo, se andarmos depressa, mas, se o ritmo for o que tem sido até agora, não me parece que seja possível”, afirmou, na altura, o presidente da Comissão Executiva do Eixo Atlântico, associação que engloba 34 municípios do Norte de Portugal e da Galiza.
Segundo Menezes, “tudo indica que os prazos vão ser cumpridos na linha Lisboa/Madrid, pelo que seria extremamente penoso se isso não acontecesse também na linha Porto/Vigo”.
Duas semanas mais tarde, a 16 de Junho, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Carlos Lage, desvalorizou os receios do Eixo Atlântico, manifestando confiança na conclusão da linha de alta velocidade entre Porto e Valença em 2013, recordando que foi um compromisso assumido pelo primeiro-ministro.
“Não estou preocupado com eventuais atrasos. O primeiro-ministro assumiu a ligação Porto/Vigo como um projecto prioritário, pelo que não tenho dúvidas (quanto ao cumprimento dos prazos previstos)”, afirmou Carlos Lage.
O presidente da CCDRN admitiu, no entanto que “seria muito desagradável, para não dizer pior, que o comboio de alta velocidade (espanhol) chegasse à fronteira em 2013 e nós não estivéssemos em condições de o acolher do lado português”.
Na altura, Carlos Lage defendeu que a melhor solução para a ligação ferroviária de alta velocidade com a Galiza seria a “construção de uma linha nova, em bitola europeia, entre Valença e o Aeroporto Sá Carneiro”.
A opção defendida pela CCDRN tem um custo estimado de 1,5 mil milhões de euros, dos quais 845 milhões para o troço entre Valença e Braga e 635 milhões para a ligação entre Braga e o Aeroporto Sá Carneiro, no Porto.
Esta linha, que inclui estações em Valença, Braga e no Aeroporto Sá Carneiro, além de um interface de mercadorias que permita a ligação à rede ferroviária convencional no eixo Braga/Nine, baseia-se na premissa de que a linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa terminará no aeroporto, o que ainda não foi assumido pelo governo português.
in RTP
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2008-06-25 13:20:01
