Menezes critica que “não avançar com os grandes investimentos públicos seria irresponsável”

Luís Filipe Menezes afirmou esta noite que “não avançar com os grandes investimentos públicos seria irresponsável” e que o PSD, “partido que subscreveu documentos onde ficou acordada a alta velocidade”, devia ter “lucidez”.A nova líder do PSD afirmou recentemente que Portugal “não tem dinheiro para nada” e exigiu ao Governo que “explicite para cada um dos investimentos como é que o vai pagar, quais são os contratos, quais são as condições em que vão surgir, em que ano surgem os encargos e quais os montantes”.

Esta noite, Menezes lembrou que o PSD “subscreveu documentos, cimeiras ibéricas, onde ficou acordada a alta velocidade” e que “não avançar com os grandes investimentos públicos seria uma atitude irresponsável”

“Só tenho uma cara e eu nem era membro desses governos”, acrescentou, à margem da entrega dos Prémios de Gaia.

Para o ex-líder social-democrata, “não tem razão de ser colocar em causa os investimentos públicos nesta altura, principalmente por um partido que tem um grande património na infra-estruturação do país, como foram os casos do Centro Cultural de Belém, Expo 98, hospitais centrais e universidades em todos os distritos”.

“Um partido que sabe bem a importância dessas infra-estruturas tem de ter esta lucidez”, acrescentou, considerando que, em termos de obras públicas, “é preciso andar depressa”.

Questionado sobre dúvidas quanto a obras como o Aeroporto de Lisboa, Menezes respondeu: “Meu Deus, o debate do aeroporto dura há dez anos. Envolveu o Presidente da República, a CIP, o LNEC, os portugueses em geral… Não vamos agora voltar a discutir o passado, excepto se for para ver subtilezas técnicas”.

Luís Filipe Menezes considerou que “os transmontanos não entenderiam que fosse adiada a auto-estrada para Bragança, os algarvios não aceitariam que parassem a construção da variante à Via do Infante para não pagarem portagens e os gaienses estranhariam se parassem o avanço do centro hospitalar”.

Para o autarca de Gaia, a credibilidade da oposição “não é a credibilidade de existir, não pode ser só omissão e circunspecção, contraditando o que se afirmou no passado”.

“Credibilidade exige coragem de afirmar propostas concretas e apresentar ideias para os portugueses as analisarem”, disse, considerando que a oposição “tem que ter desígnios e pensamento estratégico inteligível”.

Questionado sobre se com estas afirmações estava a fazer oposição à nova líder do PSD, Menezes garantiu que não, até porque diz saber o que sofreu no passado com o que lhe fizeram.

“Não vou fazer o mesmo”, garantiu, mas deixou claro que não se sente “inibido em relação a nada” e que “estavam enganados” os que pensavam que ia “ser surdo e mudo”.

“Aprendi muito nos últimos meses”, acrescentou, garantindo, porém, não ter outras ambições do que as de concorrer à Câmara de Gaia nas autárquicas de 2009.
in Púlico online

11 de Julho de 2008

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