Legislativas: Menezes antevê «situação de ingovernabilidade»

A poucos meses das Legislativas e tendo por base os resultados das Europeias, Luís Filipe Menezes tece um cenário complicado para PS e PSD. «Acho que vamos ter uma disputa taco-a-taco, mas nenhum dos dois partidos se aproximará sequer dos valores da maioria absoluta. Prevejo um resultado entre 33 a 37 por cento. Sendo assim, podemos chegar a uma situação de ingovernabilidade, porque não creio que desta vez seja suficiente a coligação com apenas um partido minoritário. Seria preciso coligação com dois partidos e não acredito que isso seja possível», afirmou, durante a apresentação do livro do Clube dos Pensadores.Para Luís Filipe Menezes - que acredita que «até deveria ser proibido durante 20 anos um partido ter maioria absoluta, porque os que a têm portam-se sempre mal» - a solução para este impasse governativo seria um reforço dos poderes do Presidente da República.

Sobre o resultado das Europeias, Menezes afirma que o PSD teve uma boa vitória, «mas a um escasso ponto percentual do resultado que nas Legislativas foi uma grande derrota». Ressalva o grande resultado do BE «que congregou votos de esquerda, mas também de direita». Já o PS «teve resultados desastrosos», diz Menezes, que admite não ter previsto esta pesada derrota socialista.

«Há uma elite politico-mediática»

Garantindo que não se arrepende de ter saído da presidência do partido, Menezes afirmou que, exceptuando Sá Carneiro, «desde o 25 de Abril, nunca ninguém saiu directamente do país real directamente para Lisboa para liderar um grande partido. Fui o primeiro e acho que vou esperar muitos anos até ver mais algum», afirmou. O problema, segundo Menezes, é que existe uma aristocracia politico-mediática-social que coexiste nos almoços no Ritz e nos jantares do Gambrinus e quem vem de fora tem poucas hipóteses de vir a liderar um grande partido e poder chefiar um Governo».

Reconhecendo o mérito a Sócrates por ter conseguido chegar a Primeiro-Ministro sem nunca ter feito muito bem parte desta elite, Menezes reconhece também que o líder do PS teve sorte «ao ter sido eleito tão próximo das eleições, porque assim não houve tempo para conspirações».

Ferreira Leite é alternativa a Sócrates

Mas apesar de ainda se perceber alguma mágoa sobre a forma com saiu da liderança do PSD, Menezes recusa «falar mal da líder ou de quem está com ela», dizendo mesmo que «Ferreira Leite poderá ser uma boa alternativa a Sócrates. Já teve o mérito de escolher bem o cabeça-de-lista às Europeias, pode ser que também escolha um bom Governo», afirmou, embora tivesse começado por dizer que «este não é mundo ideal, é o mundo que temos».

Apesar disso, discorda da posição de Ferreira Leite de querer eleições Legislativas e Autárquicas no mesmo dia e considera «que é inaceitável numa democracia moderna não se saber nesta altura a data das eleições».

Sócrates está a correr um grande risco

Sobre José Sócrates, por quem Menezes diz ter consideração pessoal, apesar de afirmar que tem governado mal, o autarca de Gaia afirma o primeiro-ministro «está a correr um grande risco ao fazer alterações no estilo e na substância. está a descaracterizar-se». Menezes considera que Sócrates «devia manter o seu estilo e defender as suas propostas». «Imaginem se Schwarzenegger e Stallone se virassem para a comédia, perdiam 80 por cento dos fãs», disse, comparando.

in IOL Diário, 18.06.2009

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