«Esta descaracterização é perigosa politicamente», afirmou Luís Filipe Menezes durante mais uma sessão de debate do Clube dos Pensadores, em Gaia, na qual recordou que após as eleições Sócrates apareceu «com novo estilo e alterações de discurso» sendo agora «mais tranquilo e mais humilde».
O ex-líder do PSD usou mesmo de algum humor referindo que «se Schwarzenegger e Stallone se virassem para a comédia, perdiam 80 por cento dos fãs».
O autarca defendeu também que as eleições autárquicas e legislativas «devem ser em datas separadas», horas depois de a líder Social Democrata ter dito que quer os sufrágios no mesmo dia.
Menezes considera porém ser «inaceitável para esta democracia» que ainda se desconheçam as datas para as eleições que deviam estar definidas com «seis a sete meses» de antecedência.
Ainda sobre Manuela Ferreira Leite, o autarca de Gaia considera ser aquela «a legítima líder do PSD» que «tem cumprido as regras do jogo» e a quem se deve dar «o benefício da dúvida» por ter vencido as europeias «à custa do cabeça-de-lista que foi ela quem escolheu».
«Só me ouvirão dizer bem da líder do partido», garantiu.
Pouco mais de uma semana após as eleições europeias, Menezes analisou os resultados que «traduzem sinais e sintomas de alguma doença da democracia que precisa de ser escalpelizada e tratada».
Nas europeias, o Partido Socialista «teve resultados desastrosos» e «excepcionalmente maus» que nem Menezes «previa como possíveis».
«Um partido com maioria absoluta no poder vale sempre 37 a 38 por cento dos votos. O PS ao vir para os 25 por cento rompe com esta lógica», sublinhou.
Já o PSD «venceu claramente» mas com um resultado «escasso».
Avaliando também os dos restantes partidos - «grande resultado» do BE e «bom» do CDS – Menezes teme que nas legislativas se chegue «a uma situação de total ingovernabilidade» quando «nenhum dos partidos maioritários conseguir uma maioria apenas com um dos partidos minoritários, sendo necessário juntar-se a dois».
«Será a abertura para debater sobre a evolução do sistema político» nomeadamente sobre o «presidencialismo» e o «alargamento do poder presidencial e a sua co-responsabilização», admitiu.
Sobre o actual momento de crise em Portugal, o autarca alega que esta é «conjuntural e estrutural», defendendo soluções que passam pela «definição de propostas ideológicas sector a sector» e pela «competitividade na Península Ibérica» onde, entre outras medidas, deve haver uma «harmonização fiscal com impostos iguais dos dois lados».
O sétimo e último ciclo de debates do Clube dos Pensadores termina no próximo dia 30, tendo como convidado o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto.
Lusa / SOL, 19 de Junho de 2009
23 de Junho de 2009 at 15:25
Aparentemente Sócrates aparce agora «mais tranquilo e mais humilde»- Cuidado!
Os burros quando estão prestes a morrer, ainda tentam dar o último coice.