No rumo certo

O Congresso do PSD e a semana de arranque de actividade da nova equipa dirigente confirmou as expectativas mais favoráveis.

No entanto, tal como afirmou Aguiar-Branco há uma semana, estamos na fase de cada um dos que acreditam nesta solução não exigirem e julgarem apressadamente tudo e todos, mas antes acrescentarem no quotidiano algo que ajude o partido e o seu presidente.

É isso que, tal como me comprometi, tentarei fazer. Foi esse o contributo que tentei levar ao Congresso, onde abordei três temas genéricos: a unidade partidária e a sua importância, o relacionamento com Cavaco Silva e a atitude que deve pautar o estilo formal de oposição.

A unidade é determinante para parar a autofagia que pautou a vida dos últimos 15 anos do PSD. Ao integrar adversários, Passos Coelho deu um bom sinal para dentro e fora do partido. Todavia, considero que a unidade depende muito mais da conformidade da idiossincrasia de quem comanda do que da maioria da base social de apoio, com uma clara definição ideológica, com propostas partidárias claras e perenes, com uma organização profissional.

Ora também nessa matéria começamos bem. O discurso que saiu de Carcavelos foi claro. Este PSD quer mobilizar quadros mas vai governar junto do povo anónimo e das bases partidárias; é arrojadamente liberal na economia, inegociavelmente social-democrata na abordagem das grandes questões sociais e é tolerante no debate sobre valores e costumes; o novo secretário-geral também já indiciou que a modernização da “máquina” é urgente, quer na qualificação dos recursos humanos de apoio aos quadros partidários quer em matérias aparentemente tão comezinhas como é a que tem a ver com uma nova concepção de “sede do partido”. Estou ansioso por presenciar o acto simbólico e significativo de ver o PSD sair da semiclandestinidade em que se encontra no bairro da Lapa e marcar presença no centro de Lisboa.

Pedro Passos Coelho clarificou com sobriedade a sua posição sobre as eleições presidenciais. Se Cavaco Silva for candidato, como a maioria deseja, terá o apoio imediato do PSD. Declaração necessária e suficiente.

Menos do que isto alimentaria equívocos estúpidos, mais do que isto arrastaria de novo o PSD para um caminho que terá de deixar de percorrer: a eterna repristinação do cavaquismo como única forma adequada de governação e a classe política nele gerada como a única capaz e competente.

O PSD apoia o candidato Cavaco, mas tem de seguir em frente. Renovando e recriando uma nova classe dirigente, assumindo que tem uma agenda, um timing e causas de combate político, que não podem nem devem estar subordinadas aos do “nosso” candidato presidencial.

Finalmente, as minhas chamadas de intenção sobre a forma como devemos fazer oposição revêem-se no discurso de encerramento do congresso.

Não aos ataques pessoais, não à valorização do ataque ad homine em detrimento da crítica objectiva e da formulação de propostas alternativas.

in Diário de Notícias, 17 de Abril de 2010

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